A pecuária brasileira passou por inúmeros desafios nos últimos anos que fizeram com que o setor investisse mais em tecnificação e aperfeiçoamento para aumentar a produção e melhorar a produtividade. A bovinocultura de corte, principalmente no Estado de Rondônia, apresentou dados interessantes sobre o cenário produtivo. Fatores, como a valorização constante, elevaram o preço da @ do boi que saiu do patamar de R$ 152,91 em março de 2019 para incríveis R$ 344,02 em março de 2022 (CEPEA, 2022), certamente a pandemia do COVID-19 que atingiu todo o globo influenciou diretamente no mercado externo e interno sobre a valorização. No entanto, não podemos descartar outros eventos que impõe desafios ao setor, um exemplo é o reconhecimento do estado como “livre de Febre Aftosa sem vacinação” (IDARON, 2020), que apesar de abrir novos mercados, fez com que o pecuarista de Rondônia se projetasse para o mercado com uma nova visão. Cabe ressaltar, ainda, que a área destinada para a agricultura cresceu na safra 20/21 cerca de 5,9% (Governo de RO, 2021), ou seja, parte desta área é oriunda da produção de bovinos. Contudo, o Estado saiu, em 2015, de 13,4 mi de cabeças, para pouco mais de 16,2 mi em 2022 (IDARON-RO, 2022), isso demonstra a força da cadeia produtiva. Outra informação muito importante é que, no último trimestre, exportamos 76 mi de toneladas, quase toda a produção do Estado (DBO, 2022). Tudo isso colabora para que os pecuaristas procurem alternativas de investimento para melhorar a qualidade e a quantidade produzidas. A exemplo disso, podemos citar a Fazenda Modotte, de Vilhena – RO, gerida pelo Sr. Carlos Alberto M. Modotte, que investe em melhoramento genético há mais de 7 anos com o intuito de fornecer reprodutores de alto desempenho para compor a base do gado Nelore no Estado, e até mesmo fora dele. E para avaliar o desempenho dos animais traz um acompanhamento rigoroso em características como: ganho peso, conversão alimentar, eficiência alimentar e indicadores reprodutivos. Para efeitos avaliativos, o sistema Intergado® de monitoramento é utilizado, e a Faculdade Marechal Rondon auxilia no acompanhamento das avaliações, e já temos observados o ganho por gerações, que indica que a cada ano os reprodutores são mais eficientes, ou seja, apresentam uma capacidade nutricional de converter o alimento em carne muito melhor, podendo passar essas características aos seus descendentes. Trocando em miúdos, animais com melhor desempenho, gastam menos e geram mais renda. Com toda a pressão, seja ela econômica ou mesmo por área, que a produção de bovinos de corte vem sofrendo, além é claro, dos custos operacionais cada vez mais altos, diminuindo as margens de uma pecuária lucrativa, investir em eficiência e tecnificação, aumentando o ganho de peso dos animais dentro da fazenda faz com que o pecuarista aumente seus rendimentos dentro do sistema de produção. Observar os cenários, analisar as dificuldades e desafios são de extrema importância dentro da fazenda, criar e acompanhar os indicadores zootécnicos e econômicos fazem com que o produtor tenha capacidade de medir o desempenho da propriedade, e então tomar decisões mais assertivas para ter posteridade e rentabilidade dentro do setor. Raycon R. F. 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Por onde caminha a produção leiteira do Estado de RO
Você já tomou leite hoje? Provavelmente se não tomou ainda, vai tomar! Seja de forma direta ou indireta, pois o leite ou seus derivados estão presentes em diversos alimentos da nossa culinária. Não tem como negar que o leite é um alimento de extrema importância para a população mundial. Em 2014, a produção brasileira alcançou o recorde de 35,1 bilhões de litros produzidos, contudo, após um decréscimo, em 2018 voltamos a aumentar a produção, porém ainda apresentamos 33,8 bilhões de litros produzidos (IBGE/EMBRAPA, 2020), e a variação positiva para 2021 em relação a 2020 foi de 2,7% (MilkPoint, 2021). No entanto, um fato que chama muito a atenção é que o rebanho ordenhado no Brasil diminuiu, saímos de 23 milhões de cabeças para pouco mais de 16 milhões em 2018, para tanto, esses dados se unem quando observamos que a produtividade por vaca praticamente dobrou de 1997 até 2018 (IBGE/EMBRAPA. 2020). Ainda assim mesmo o país estando entre um dos maiores produtores de leite do mundo, quando o assunto é produtividade, ocupamos a 85º posição no ranking, ou seja, ainda temos muito o que melhorar. Quando atraímos os olhares para o Estado de Rondônia, nos deparamos com a predominância de propriedades produtoras de leite, cerca de 80%, produzindo em média 70 litros/leite/dia, com uma produtividade de apenas 4,4 litros/vaca/dia (EMBRAPA, 2020). Nossa produção total por vaca por período de lactação é de aproximadamente 1.058 litros, sendo positivo, quando comparado ao oitavo colocado no ranking nacional, que é São Paulo, com 1.585 litros/vaca/ano, e o primeiro é Santa Catarina com 3.799 litros/vaca/ano. Cabe salientar que as particularidades de clima e de aptidão dos rebanhos são peças fundamentais para a melhora desses indicadores. Por exemplo, a Leiteria Sempre Bom, em Cerejeiras-RO, que chegou a ter uma produção de 21 litros/vaca/dia na média do rebanho em julho de 2021, ficando com médias de 18 litros/vaca/dia ao longo do ano. Essa marca só foi atingida através da gestão e do planejamento do empreendimento, através da análise sistemática de indicadores e de variáveis que podem interferir significativamente nos resultados esperados. Outro fator muito observado, é o preço pago pelo litro do leite, e de acordo com o Conseleite, o leite entregue em fevereiro de 2022 a ser pago em março do mesmo ano teve seu valor de referência taxados em R$ 1,73. Porém sozinho nos diz pouca coisa, visto que é muito mais importante observamos os custos de produção, pois esses podemos controlar. Para exemplificar fatores de eficiência produtiva, feita através de gestão de qualidade e manejo correto dos animais, posso citar a Leiteria Sempre Bom, em Cerejeiras – RO, que em junho de 2021 apresentava um rebanho de 39 vacas em lactação e uma produção de 6.531 litros/mês (5,58 litros/vaca/dia), e sem nenhum indicador de custos de produção. E após 7 meses de um trabalho sério, árduo e dedicado, alcançamos a marca de 54 vacas em lactação no rebanho, com uma produção total de 24.874 litros/mês (15,35 litros/vaca/dia), com um custo de produção efetivo de R$ 1,23 litro/leite.
A tempestade da pecuária
Os últimos anos foram marcados por mudanças significativas na pecuária de corte brasileira e, de 2022 para 2023, o produtor tem sentido na pele a força do ciclo pecuário. Parece pouco tempo para tanta mudança, contudo saímos de bezerros que eram comercializados “na perna” em torno de R$ 2.800,00 (ou por volta de R$ 15,00/kg), para atuais R$ 1.500,00 (R$ 6,00/kg). Um dos principais fatores que influenciaram essa mudança é o ciclo pecuário, que desde 2019, com o início do aumento do preço da @ do boi gordo, a subsequente valorização do bezerro e a consequente retenção de fêmeas, resultando em uma maior produção de bezerros, fazendo com que o mercado saturasse. Na prática isso acontecei com um espaçamento de tempo um pouco maior do que vimos recente, porém, a conta chega. E ela chegou, pressionando o valor do produto. Outro ponto que precisa ser considerado é a pandemia do COVID-19, que teve uma duração de quase três anos, e que infringiu sobre todos os segmentos econômicos e da sociedade; o planeta não estava preparado, vimos falta de insumos, aumento descontrolado do valor de produto e serviços, e quando nos demos conta, o ciclo já estava virando. Virando com uma rapidez que não esperávamos quando em meados de 2022 a @ do boi gordo começou a cair. Pois bem, para colaborar ainda mais, o caso de uma vaca louca – que nem vaca era, muito menos louca –, prejudicou ainda mais o mercado interno. Uma pressão de baixa no valor da carne, seguida da suspensão das exportações, associadas à baixa escala de abate e muito animal para ser abatido, sopesaram muito para essa baixa. Talvez a agricultura esteja mais acostumada com essas oscilações de mercado, porém nossa realidade na pecuária é outra e o impacto foi forte. Mesmo com notícias boas, como a volta da exportação, mais aberturas de plantas frigoríficas e novos horizontes mercadológicos ampliando-se, ainda deixam o preço da @ do boi gordo tímida em nossa região, atuais R$ 240,00 machos e R$ 220,00 fêmeas (médias regionais). E depois de tanto tempo, pouco se sonha com a @ de R$ 300,00. tretanto, mesmo com a tempestade chegando forte, alguns pecuaristas ainda encontraram alternativas para mitigar os efeitos, e dentre todas elas, podemos citar: A compra de insumos e produtos para as propriedades de forma planejada e programada, o que gerou nos últimos 6 meses uma economia na produção de até 30%, ou seja, controlar custo dentro da porteira, traz resultados; investimentos em qualidade de animal acabado, poucos perceberam que temos dois tipos de mercado, um mercado “convencional” e o mercado “prime”, esse último, produzindo animais de qualidade superior, independente da fase, ainda conseguiu ganhar dinheiro, visto que o ágio sobre a @ variava em torno de 10%; e, por fim, e não menos importante, alguns aprenderam a comercializar o boi futuro, ou boi da bolsa, travando seus custos e principalmente frente ao nosso mercado físico, ganham variações de aproximadamente R$ 60,00/@, e ficando a certeza de que esse também é um mercado a ser explorado. Portanto, tiramos lições valiosas dessas três estratégias como: mensurar, avaliar e corrigir, são estratégias que precisam ser feitas para melhorar as receitas, controlando custos e produzindo mais e melhor na fazenda, além de qualidade e eficiência serem sempre colocadas à prova, pois ajuda, e muito, a melhorar os ganhos. E seguimos fortes, lutando e trabalhando para uma pecuária forte e lucrativa. Raycon Garcia Zootecnista Diretor Geral da PROAGRO Soluções Pecuárias e-mail: raycongarcia@proagroagronegocios.com.br Contato: 69 9.8495-9091